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Relações Abusivas: você sabe reconhecer?

April 8, 2018

Você já ouviu falar no termo “Gaslighting”?

 

Esse termo existe e é utilizado na Psicologia para definir uma forma específica de relacionamento abusivo. É uma forma de abuso psicológico e emocional no qual um dos parceiros distorce informações de modo a favorecer à si próprio, fazendo com que seu parceiro ou parceira duvide da sua própria memória, percepção e sanidade. É triste, dói, e a vítima muitas vezes demora a perceber a situação ou nem percebe, passando dia após dia sendo consumida pela relação.

 

O termo Gaslighting surgiu em 1938, ano de lançamento da peça teatral homônima e tornou-se popular após 1940, ano de lançamento do filme estrelado por Ingrid Bergman e Charles Boyer. No filme o personagem de Charles Boyer manipula situações de forma a fazer com que sua parceira pense que ela é que está sempre errada e inclusive pense que é louca.

 

Relações Abusivas – Cena do filme Gaslighting, 1940

 

 

Geralmente o abuso ocorre de forma gradual, sem que a vítima perceba. Porém, com o passar do tempo, os abusos se tornam mais comuns, e a vítima, sem perceber, passa a ser dependente do abusador, pelo fato de se sentir culpada e errada, de desconfiar das suas percepções, podendo inclusive se afastar da família e dos amigos. Quando isso acontece a vítima permanece no relacionamento justamente porque não percebe o abuso. Ela começa a se apoiar cada vez mais no parceiro abusivo para definir a sua realidade, ficando cada vez mais difícil de escapar, afinal o abusador nunca reconhece o erro, nem aceita críticas, sempre distorcendo as palavras que são ditas.

 

Há várias formas de gaslighting utilizadas pelo abusador, que vão desde a negação de fatos até a banalização dos sentimentos da vítima.

 

Termos como:

 

” – Você está errada, isso nunca aconteceu”

” – Nossa, que exagero, era só uma brincadeira”

” – Nossa, como você está estressada”

” – Não é motivo para tanto”

” – Você está imaginando coisas”

” – Não faço idéia do que você está falando”

 

São usualmente utilizadas pelo abusador, fazendo com que a vítima se sinta culpada e gerando sérios problemas como depressão, ansiedade, isolamento e confusão mental.

 

Cassandra* demorou muito a perceber que o seu marido tratava-se de um Gaslighting. Durante anos, cada vez que tentava dar a sua opinião, ouvia um “Você tem problema”, “Isso é coisa da sua cabeça”, “Você está procurando motivos para brigar” ou “Não posso falar nada que você leva à sério”. Foram anos de abuso moral e inclusive agressões físicas. Todos relevados, pois logo em seguida seu marido agia como se nada tivesse acontecido e fazia algo para agradar, manipulando a situação para que ela se sentisse errada e culpada.

 

“Ele fazia tudo para mim, e eu me sentia extremamente ingrata por não estar feliz ao lado dele, mas ao mesmo tempo sabia que havia algo errado. Ele manipulava as situações para que tudo acontecesse da forma como ele queria e planejava. Pedia a minha opinião mas no final fazia o que ele preferia, desde passeios até comprar algo para a casa. Minha vida passou a ser controlada por ele e eu não percebia.”

 

Cassandra deixou de ver os amigos, parou de dançar e brincar e passou a ter um olhar triste e apático. Nunca pode demonstrar seus sentimentos pois seu marido falava que ela era “uma boba” e “sensível demais”. Como ela não tinha noção da real situação, procurava se apoiar cada vez mais no marido, não conseguindo fazer mais nada sem pedir a opinião dele primeiro.

 

Segundo o Psicanalista Jorge Forbes, esse tipo de relação “é como uma relação sadomasoquista: a tentativa de um acusar e o outro ficar se sentindo culpado e réu de uma situação. A pessoa se vê presa no gaslighting na medida em que depende da aprovação do outro. Se a pessoa necessita que o seu pensamento seja confirmado pelo outro e não se responsabiliza pela própria realidade, ela precisa se dar conta dessa forma equivocada de buscar uma garantia. E tem que sair dessa posição. Se dar conta de que ela é cúmplice do seu agressor é o primeiro passo pra se libertar disso”.

 

De acordo com o autor e psicanalista Robin Stern, PhD, os sinais de que você está sendo vítima de gaslingting incluem:

 

✔ Você duvida de si mesma constantemente.

✔ Você se pergunta “Eu sou sensível demais?” várias vezes ao dia.

✔ Você constantemente se sente confusa ou até mesmo maluca.

✔ Você está sempre pedindo desculpas ao seu parceiro.

✔ Você não entende por que, com tantas coisas aparentemente boas na sua vida, você não está mais feliz.

✔ Você frequentemente cria desculpas para justificar o comportamento do seu parceiro para seus amigos e sua família (ou até para si mesma).

✔ Você começa a esconder informações dos seus amigos e da sua família para que não tenha que explicá-las ou inventar desculpas.

✔ Você sabe que algo está muito errado, mas nunca consegue expressar exatamente o que, nem para si mesma.

✔ Você começa a mentir para evitar as distorções da realidade e ser posta para baixo.

✔ Você tem dificuldade para tomar decisões fáceis.

✔ Você sente que costumava ser uma pessoa muito diferente – mais confiante, mais divertida e mais relaxada.

✔ Você se sente desesperançosa e desanimada.

✔ Você sente que não consegue fazer nada certo.

✔ Você se pergunta se é uma parceira “boa o suficiente”.

 

Se você perceber que está em uma relação Gaslighting não se pare, procure ajuda, você não está só.

 

Cassandra demorou mas tomou consciência. Conseguiu sair da gaiola do abuso emocional que estava vivendo. Está aos poucos retomando as rédeas da sua vida. Mas as dores permanecem, e essas somente o tempo irá cicatrizar.

 

* O nome foi modificado para preservar a identidade.

 

O trailer oficial do filme está disponível no Youtube (em inglês):

 

 

Sessões de ROAR – Destruindo e se Libertando da Gaiola do Abuso, auxiliam pessoas que passaram por diferentes formas de abuso a se reconectarem com a aventura, a alegria e a leveza de serem elas mesmas novamente. Informe-se para sessões online e presenciais.

 

Descubra mais e Empodere Sua Vida.

 

Com amor no ♥

Diana Raquel